29 julho 2013

Persona (1966) Ingmar Bergman












Sister Alma: Is it really important not to lie, to speak so that everything rings true? Can one live without lying and quibbling and making excuses? Isn't it better to be lazy and lax and deceitful? Perhaps you even improve by staying as you are. (No response) My words mean nothing to you. People like you can't be reached. I wonder whether your madness isn't the worst kind. You act healthy, act it so well that everyone believes you--everyone except me, because I know how rotten you are.




When I met you I thought
Heartache, sorrow, come my way no more
Thought our love was enough
(...)
Foolish I guess I was
Cos' I dare to dream
"Ontem estava magoada e acabei por ser injusta. Desculpa <3"

- A minha noção de desculpas hoje em dia: Baldes de Merda!

28 julho 2013

"Os desgostos de amor são horríveis. E, por serem horríveis, as pessoas dizem que fazem parte; que são o preço; que são um caminho; que dão força e fazem crescer. Tal é o medo de aceitar a totalidade da tragédia que são, que se chega ao ponto de ver os desgostos de amor como um rito de passagem não só para a humanidade como para o próprio amor – o que é muito mais grave. É sempre outrem que fala assim levemente, alguém que, se calhar, nunca teve um desgosto de amor digno do nome ou, se o teve, já o esqueceu e, ao esquecê-lo, provou que nunca amou, por muito desgostoso que tenha ficado. Porque também existe o desgosto de ser abandonado por alguém de quem nos habituáramos a fugir, e de já não ser amado por quem nunca amámos. Mas isso é um simples desgosto que nada tem a ver com o amor. Já um desgosto de amor é um desgosto completo: uma desilusão e uma angústia; uma frustração de quase não existir, que começa por nós próprios, num incêndio de chuva que vai por aí afora até estragar o mundo inteiro, incluindo o que mais se queria proteger: a pessoa amada. Os abutres da consolação pretendem reclassificar os desgostos e ofender o amor e, distraídos pelo prazer necrófilo de cheirar, mesmo numa pessoa amada, a morte do amor alheio – tão secreta e infinitamente invejado! -, chegam a dizer as três palavras mais estúpidas, cruéis, inúteis e indignas daquelas circunstâncias: “Foi melhor assim.” Acrescentando, às vezes, mais duas: “Deixa lá.” Como se pudéssemos responder: “Boa ideia – vou deixar!” Os desgostos de amor estragam a alma. É preciso ter muito medo deles. Respeito. Cuidadinho. Tratar o amor nas palminhas. Mesmo antes de chegar a pessoa que se vai amar. É que os corações partidos ficam partidos. Deixam de poder amar. E, em vez de amar, tornam-se músculos leves e cínicos, trocistas e elegantes. Pode até ser muito giro ser assim. Mas está para o amor como o gosto duma pedra de sal está para o mar. E às vezes ainda é mais triste: é o próprio gosto pelo amor, como quem gosta de um prazer qualquer, que mata o amor – a possibilidade de amar – logo à nascença. Será este o único desgosto, por muito caladinho que seja, tão grande como um desgosto de amor."

Miguel Esteves Cardoso
(...)
...tudo o que eu gostaria de ter aqui está tão longe, não sei aonde, está longe o amor que às vezes esperava. E não virá...
Consolo a minha saudade com fotografias tuas. Mas sei que há muito se apagaram os sorrisos do teu rosto. Envelhecemos separados, tenho pena, agora já é tarde, estou cansado demais para as alegrias dum reencontro. Não acredito na reconciliação ainda menos no sorriso que fizeste para as fotografias...
(...)



In Diários, Al Berto, edição Assírio, 2012.


25 julho 2013

Diários

Faz de mim um objecto e eu permito-o. E o este querer apenas, por mais destorcido que seja causa-me uma alegria doentia. E revejo-me também nessa necessidade de possessão dela. E a noção desta realidade é assustadora. Mas fico. Deixo que me possua, e na verdade odeio-a por mais uma vez me iludir com palavras bonitas. E é sempre este o caminho. Quero-te. Amo-te. Tenho-te. Deixo-te. 

mileumavoltas

Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.
Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.
Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.
Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

Affonso Romano de Sant’Anna

24 julho 2013

Para preencher um Vazio
Inserir a Coisa que o causou -
Tenta bloqueá-lo
com outra – e mais vai se escancarar -
Não se pode soldar um Abismo
Com Ar.


Emily Dickinson

23 julho 2013

20 julho 2013

17 julho 2013

Quando eu lhe dizia: " Eu me apaixono todo o dia. E é sempre a pessoa errada." Você sorriu e disse: " Eu gosto de você também."

Renato Russo

15 julho 2013

E quando a aperto nos meus braços, não sei dizer qual a parte em mim que ganha, se a que a ama, se a que a quer matar. É insuportável viver dentro desta obsessão.

11 julho 2013

diários

Vive-se a vida em transe. E para mim, é a única maneira possível de viver hoje em dia. Deixam-se as lágrimas e o desespero para depois. Vive-se a mil à hora, preenchem-se todos os minutos do dia para que nenhum pensamento vago nos assalte de surpresa. Preenche-se a cabeça, a dor e a solidão, preenche-se também a cama e o serão. Não há tempo para deixar o corpo fraquejar, nem o coração. Vive-se tudo de uma vez, e repare-se que nestes momentos a quantidade torna-se duplamente mais importante que a qualidade. E faz-se esperar o inevitável, com a convicção possível. E vive-se assim (ou sobrevive-se), para que quando o transe passar, esperançosamente, o resto também.

10 julho 2013

“Que mistério, a paixão! Uma pessoa suporta tudo até ao dia em que acorda e repara que viveu um engano.”

Rosa Lobato Faria
“Esse é justamente o problema.” Interrompeu-o. O tom exaltou-se pela primeira vez. “Quando estás em controlo é um inferno, quando não estás em controlo é um pesadelo! Achas que é possível para alguém escolher entre ambos?” Questionou-o sem esperar resposta. “Perto de ti tudo é difícil, complicado, confuso, há uma pensão constante em teu redor… manipulas tudo e todos, misturas verdades com mentira até que é insano sequer tentar perceber-te!” Desabafou. “E… de uma maneira ou de outra, mais tarde ou mais cedo, tudo dá em tragédia!”

L.C. Lavado
“Que sucedera para se suicidar, desabismado? Que tropeção derrubara a sua vida? Podia ser tudo: os tempos de hoje são lixívia, descolorindo os encantos.”

Mia Couto 

evil never dies #2

09 julho 2013
















até não haver mais dor. até não haver mais sangue. até não haver mais nada.
Por um rosto chego ao teu rosto, 
noutro corpo sei o teu corpo. 
Num autocarro, num café me pergunto 
porque não falam o que vai 
no seu silêncio aqueles cujo olhar 
me fala da solidão. 
Esqueço-me de mim. Tão quieto 
pensando na sua pouca coragem, a minha 
sempre adiada. Por um rosto 
chegaria o teu rosto, mesmo de um convite 
ousado fugiria, esta mão conhece-te 
e desenha no ar o hábito 
por que andou antes de saíres 
do espaço à sua volta. Estás longe, 
só assim podes pedir algumas horas 
aos meus dias. Sem fixar a voz 
a tua voz é uma corda, a minha 
um fio a partir-se.


Héder Moura Pereira

08 julho 2013

8½, Fellini













"Quem dá tiros nos pés tem de estar preparado para, um dia, não conseguir andar. Para lado algum."
#JAL

02 julho 2013

Dear future me

Terás aprendido que quem tem de ficar, fica. Quem não ficou, é porque nunca quis ficar. terás encontrado um amor à tua medida, e verás, que o amor não é a coisa mais importante do mundo. Nunca te esqueças que foi por ele que te perdeste e por esta altura já terás armas para te defenderes dessa perdição. Good for you! Irás perceber que, viver lado a lado com o abismo diariamente não é saudável e já não te basta. Tens diferentes planos. Nunca vais deixar de sonhar! Para o mal, ou para o bem, pousas pouco os pés no chão. Não há problema. Esse nunca foi o problema. Preserva o mais possível essa inocência,  da maldade que também trazes contigo. Não te tornes numa dessas pessoas más que desprezas. Merecemos melhor que isso! Tenta ser um pouco mais flexível. Compreende por favor, que não sabes lidar com coisas complicadas, por isso não as compliques também. Dá mais valor à família, ela é, e sempre será, quem fica independentemente de tudo! Sorri mais! O teu sorriso sempre foi o teu maior atractivo, e que todas as rugas de que te queixas sejam apenas causadas por essa alegria. Por favor procura um ponto de paz e agarra-o com unhas e dentes. Percebe, que para viveres em harmonia, o equilíbrio tem de partir de ti, mas compreende, essa nunca será uma tarefa fácil nem agradável, e ainda não é. Mas, tenho fé em ti. Faz a terapia, ela ajudar-te-á a veres com mais clareza todos os pontos que referi previamente. Abranda no álcool, não te trás nada de bom, pelo contrário, tornou-te sempre menos do que és! Serás feliz no teu trabalho, esse nunca foi um problema, apenas demorou um pouco a chegar. Chegou! Terás aprendido que de um dia de cada vez também se vive, e relaxa, um pouco de cinzento não é o fim do mundo!
Um beijo, C
01/07/13

01 julho 2013

Diários

Pelo menos o meu desequilibrio emocional é compensado pelo meu equilíbrio profissional. Ainda bem.