02 dezembro 2014


as tuas mãos

ainda tento sobreviver após tudo o que te escrevi, tudo o que me escreveste e disseste, e toda a vida miúda que fomos levando sem nunca pressentirmos a grande raiva que um dia talvez rebentasse; hoje, que o futuro já confirmou parcialmente as razões vulgares da minha partida, não vale a pena fingir, à merda a hipocrisia, não é da desmesura que volto, mas de uma terra pequena e de um mar dócil, da avareza e do medo, e volto como quem rasteja ou implora a leitura destas linhas, com um nome na boca, devagar, para a proximidade dos teus passos na cozinha, para confirmar as tuas palavras, à mesa do chá, sobre a minha pequena loucura. E sorrirei da minha pequena loucura. Entardece. Talvez esteja velho e a morte já não me faça companhia. Olha, não consigo escrever mais




Rui Gomes, O Mensageiro Diferido

30 novembro 2014

diários

E eu que hoje só precisava de um abraço.
Ou de um valente abanão
ou de um boa notícia
ou de uma mensagem de força
ou de ter forças, simplesmente.
Ou de ouvir a tua voz.
Ou de conseguir dormir
ou de não chorar.
Ou de me esquecer
ou de te esquecer.
Ou de dar um grande foda.
Tanto faz.

27 novembro 2014

Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera.

Clarice Lispector

16 novembro 2014

15 novembro 2014