15 novembro 2014

Friday night

Parece que vivo a vida em fuga.
Que se foda.
Estou mesmo em fuga
E não é do mundo.

13 novembro 2014

Diarios

Mais um ano sem ti
Mais um ano sem ti
Mais um ano sem ti
Mais um ano sem ti
Mais um ano sem ti
Mais um ano sem ti
Mais um ano sem ti
Sem os teus olhos,
Sem eu começar,
Pouco a pouco a reconhecer-me neles.
Mais um ano sem ti
Sem o teu sorriso
Mais um ano sem ti
Sem o teu conselho
Mais um ano sem ti
Sem o sorriso da mãe
Mais um ano sem ti
Sem a tua fatia da família
Mais um ano sem ti
Sem me veres crescer
Mais um ano sem ti
Sem te poder abraçar
Ou chatear
Sem te poder desapontar
Mais um ano sem ti
Sem tu também,
Começares a reconher-te nos meus olhos
Mais um ano sem ti.

Fodasse
Mais um ano sem ti
Todos temos as nossas dores.

Londres, 1 de Outobro de 2014

07 novembro 2014

Freedom vs love

Amor romântico e amor genuíno | Jetsunma Tenzin P…: http://youtu.be/gjV5zaGd0gA

30 outubro 2014

'Cause I may be bad, but i'm perfectly good at it!


Não entendo, apenas sinto.
Tenho medo de um dia entender
e deixar de sentir.

Clarice Lispector
Dia 29 de Novembro de 2014
Londres

14 outubro 2014

Algures no tempo

Algures no tempo, houve uma altura, (quiçá antes de ter amado), em que eu era corajosa. Algures nesse tempo não me acanhava por medo, nem por vergonha.
Algures no tempo, houve uma altura, (quiçá antes de te ter perdido), que eu dava o passo em frente, que saltar sem rede era muito mais divertido que assustador.
Algures no tempo, houve uma altura, (quiçá antes de me tornar mulher), em que eu nao era medrosa. Uma criança nunca é medrosa. Eu também não o era.
Algures no tempo, houve uma altura, (quiçá antes de ter falhado), em que eu confiava em mim. Acreditava em mim.
Conhecia-me e, gostava-me.
Ela confia em mim. Ela acredita em mim. Ela faz-me ter menos medo. Ela faz-me voltar algures no tempo, (quiçá ao tempo que eu sabia ser feliz).



Londres, 13 de Outubro de 2014

26 setembro 2014

uma carta aos meus antigos amores

(...) decidiu então de uma vez por todas desmembrar essas palavras coladas ao peito. Fez um balanço de todas as feridas abertas, bem como de todos os sonhos enforcados, e fez-se à estrada, aquela que já havia palmilhado previamente, mas agora, sem ter os pés a serem engolidos pela lama.
Não foi um caminho bonito o que percorreu, aliás, moralmente, pode dizer-se que deixou muito a desejar, traiu, magoou, ignorou, feriu, mentiu, julgou, gozou; mas foi esse o caminho que percorreu... E não o fez sozinha, arrastou todas as pessoas que conseguiu, seduziu-as com palavras, com promessas, essas, quase todas desleais, com gestos amorosos, esses, quase todos falsos, arranjou um considerável número de bonecos para servirem o seu gosto sádico de amor... Mas sim, foi assim que o fez, e realmente na altura fazia-lhe pouco ou nada diferença, pode dizer-se que tinha gesso no lugar do coração; um grande abraço de gesso, que por hora fazia-lhe o obséquio de segurar os cacos.
Então, se tinha o coração em cacos, como pode ter amado? Mas amou, amou, amou e amou. Mas não é disso que se trata esta sua carta, voltemos ao início.
Nunca soube muito bem identificar essa linha que as pessoas do mundo parecem ver entre a realidade e a fantasia, essa linha que nos tempos de hoje parece cingir e delinear o que é do que não é, e assim, por outras palavras, o que é certo do que é errado, no entanto obrigara-se a reconhece-la também como verdadeira, visto que para dançar neste mundo essa noção de senso comum é todavia imperativa; e por falar em senso comum, também esse deixara muito a desejar, foi perita em nunca ter de se desculpar, a encontrar sempre a frecha entre a culpa e a projeção. E como era perita também em projetar! Não havia nada no mundo que fosse sua ação particular, não, ao invés disso, amanhou-se sempre com a safa do "porque alguém fez", "porque alguém disse", "porque alguém me magoou", e não poucas vezes, essa tampouco foi a realidade. 
Era perita em muitas coisas, achava ela.
Bem, mas fundo, bem fundo, no fundo, ela sabia que era uma questão de tempo para que eventualmente lhe descobrissem a careca, então usava-se da sua beleza como arma secreta, a bem ou a mal sempre tivera um dom para agarrar as suas presas de fora para dentro, fisgava-lhes os sentidos, e verdade seja dita, não lhe fazia grande espécie se fosse a mal. E usou-a incessantemente até perder a cabeça, ou o amor-próprio, ou o discernimento social, ou a razão, ou o respeito, ou tantas outras coisas… Olhar para dentro e não reconhecer nada foi o breu mais breu que alguma vez presenciou! Nada, nada era dela, nada era ela. Nada. Que triste constatação.
Tornara-se uma má pessoa, e as más pessoas mais cedo ou mais tarde, ou mudam ou se perdem, e ela não se queria perder.
Perdeu tanto na vida, perdeu tanta vida, perdeu tantas pessoas na vida. Perdeu tanta vida! Que mais perdas seriam humanamente insuportáveis.
Esta carta, quase que arrancada de dentro das lágrimas, foi uma espécie um exorcismo para ela, pudesse ela desculpar-se de todas as suas falhas, de todas as suas mentiras, de todas as suas burlas e calúnias… Mas sabe que há certas atitudes que tomou na vida que ditaram mais do que esperava e por isso se tornaram indesculpáveis (ao contrário também não as perdoaria), e no entanto, é só isso que pode pedir, perdão! E aceitar, que mesmo isso possa nunca ser possível.
São fardos pesados as pessoas que magoou, vivem nas suas costas como parasitas que lhe sugam as forças e lhe cospem a vergonha na cara e o arrependimento nos olhos.
Sabia que para mudar o curso da sua vida, drásticas mudanças tinham de ser feitas, já lá ia o tempo que achava que mudar por outrem era mudar, que mudar sem mudar, ou sem querer mudar era mudar. Mais uma vez palpar o breu e sentir frio. Porque numa casa vazia a corrente de ar é forte e as madeiras apodrecem, e ela não queria apodrecer.
Fechou então a casa para obras, fechou as janelas, fechou as portas, fechou os livros, fechou as ranhuras, fechou as feridas, fechou o delírio, fechou o amor, fechou a dor, fechou as mãos, fechou a mente, fechou a memória, fechou o mau, fechou o corpo, fechou a alma, fechou tudo, envernizou o chão, desentupiu a chaminé, consertou a torneira que pingava demasiada água há demasiados anos, substitui as luzes fundidas, e finalmente pintou-a, com um tímido tom verde.
Ainda que lhe seja muito complicado não recorrer à mentira (apercebeu-se que a mentira estava mais intrínseca a si do que imaginava), e a manipulações (sempre se usou desse ludíbrio, para levar a sua à vante), o que mais lhe custava deixar era a raiva, todos os momentos em que o descontrolo comanda a mente, a dor do coração que se transforma em náusea, a náusea que se transforma em dores do coração, da sensação de montanha russa, do desespero sem fim, da questão sem resposta imediata, do oito ou oitenta, da solidão aterradora, da certeza da luta perdida, do dia sim, ou dia não, da persistente esperança, do pontapé no estômago insuportável, de amar erradamente e ser errada também, de não saber dizer basta, de andar às escuras na procura eterna, da paz faseada, do querer endoidecer ou morrer, de ser duas ou uma dividida. De rir e querer chorar… É sufocante o que tem de deixar, sem se perder a ela também no meio de tanta merda.

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