My fault, my failure, is not in the passions I have, but in my lack of control of them. Jack Kerouac
05 agosto 2013
04 agosto 2013
Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?
Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.
Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.
Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.
Pablo Neruda
O que os olhos não vêem, o coração não sente
Danço como se não houvesse amanhã. Os corpos suados deslizam como enguias no breu daquela cave ao som da música desta madrugada branca; e os meus olhos acompanham 2, 3 de cada vez. E o meu corpo também, que vontade fora de mim de beber da vida, e a vida. Uníssono por toda aparte, por cima de tudo, impregnado em tudo, e falta algo. Penso nas outras almas que acompanhavam esta sede, que agora já não . Que são casal agora, que preenchem satisfatoriamente as suas vida, já saciadas. Felizes delas. Não necessitar deste oásis no deserto deve ser agradavelmente maravilhoso.
03 agosto 2013
02 agosto 2013
Hoje acordámos em sitios diferentes...
Eu, no meio das ruínas que se movem, das sombras que sopram,
das almas em fuga para dentro da vida.
Tu, no meio das ruínas paradas, das sombras que já não respiram,
das almas em fuga para longe da vida.
Amanhã, sempre amanhã, tentaremos acordar no mesmo sítio de sempre
e o abismo do medo e da dor irá rir-se de nós enquanto nos engole ou nos deixa passar.
Fernando Ribeiro
Eu, no meio das ruínas que se movem, das sombras que sopram,
das almas em fuga para dentro da vida.
Tu, no meio das ruínas paradas, das sombras que já não respiram,
das almas em fuga para longe da vida.
Amanhã, sempre amanhã, tentaremos acordar no mesmo sítio de sempre
e o abismo do medo e da dor irá rir-se de nós enquanto nos engole ou nos deixa passar.
Fernando Ribeiro
Diários
O que mais custa, são as horas passadas à frente da tv. As horas mortas que obrigatoriamente acabam por acontecer, e quado acontecem trazem o culminar das memórias descartadas durante o dia. Todo o esforço pela calma vai por água abaixo no segundo de um piscar de olhos. E a raiva verte por todos os poros. E o desespero. Nessas horas mortas a frente da tv, a tristeza é insuportável.
01 agosto 2013
(...) Amanhã, ou enquanto dormes
- agora mesmo - vou pensar em ti.
Intensamente: até que as horas me doam sobre a pele,
e o movimento dos dias passe como aves
que perdem o sentido do voo - até que tudo
o que me rodeia tome a forma do teu corpo.
E em mim circules - quando estendo a mão
por dentro da noite e te acordo,
no fogo dos meus olhos.
Al Berto
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